terça-feira, 12 de agosto de 2008
Indignação de João Suassuna com relação às novas investidas das autoridades em projetos de transposição
Meus prezados,
Estamos há 13 anos estudando as questões do rio São Francisco, denunciando
as limitações de suas vazões no atendimento às necessidades do povo
nordestino. Temos insistido na tecla de que o rio está limitado
hidrologicamente, portanto, não tendo a mínima condição de ofertar as
vazões que serão requeridas pelo projeto de integração de bacias (mais
conhecido como transposição do rio São Francisco). Fizemos questão de
levantar, inclusive, esse assunto no debate que participamos com o
ex-ministro Ciro Gomes, no programa Roda Viva, no ano de 2005, em São
Paulo
(http://www.rodaviva.fapesp.br/materia/165/entrevistados/ciro_gomes_2005.htm)
. Notem os senhores que, já naquela época, nos preocupávamos com as
questões da incapacidade volumétrica no rio. Com a matéria abaixo, editada
no Estadão (SP), no dia 11/08, ficamos mais uma vez indignados: as
questões volumétricas voltaram à baila, prova inequívoca do reconhecimento
de nossas autoridades, da impossibilidade de êxito do projeto São
Francisco contando apenas com as vazões atuais do Velho Chico. Ainda por
cima, a matéria traz alternativas de aumento da vazão do rio São Francisco
com águas oriundas do rio Tocantins. Ora, essas alternativas já havíamos
tratado delas em 2001, através dos trabalhos de Caio Lócio Botelho,
http://www.fundaj.gov.br/docs/tropico/desat/lossio.html , quando este
fazia referência à possibilidade de utilização das águas oriundas das
lagoas Varedão e Jalapão, para a bacia do São Francisco, no exato local da
sugestão dos fornecimentos volumétricos existente na matéria do Estadão. A
nossa indignação maior diante de tudo isso, prende-se ao fato de estarmos
voltando à “estaca zero” nessas discussões. Em primeiro lugar, só agora as
autoridades reconhecem as limitações do Velho Chico para o fornecimento
volumétrico (esse reconhecimento, indubitavelmente, foi uma conquista dos
movimentos sociais). Em segundo lugar, esse reconhecimento veio em um
momento inapropriado, pois as obras do projeto da transposição do São
Francisco já estão bastante adiantadas, com boas chances de termos um
enorme elefante branco pela frente. Essa nossa preocupação se prende ao
fato da possibilidade de nossas autoridades não conseguirem recursos
financeiros suficientes para a implantação do projeto Tocantins. Na nossa
avaliação essa será a receita de termos, no São Francisco, um projeto que
irá ligar NADA a COISA ALGUMA e com boas chances de termos mais uma obra
inacabada, dessa feita no governo Lula. Diante dessa constatação achamos
que falta seriedade no trato da ciosa pública. Sobre esse projeto cremos
que ainda irá rolar muita água (ou pouca) entre Sobradinho e Xingó.
Um abraço,
João Suassuna
A próxima transposição
O Estado de São Paulo - São Paulo
Ribamar Oliveira -
11/08/2008
A transposição do Rio São Francisco para as bacias hidrográficas do Ceará, da Paraíba, do Rio Grande do Norte e do agreste de Pernambuco começa a se tornar realidade. As obras a cargo do Exército estão em ritmo acelerado, como este colunista pode constatar na região, na semana passada. Os dois canais de aproximação dos eixos norte e leste, que levarão água para os reservatórios de Tucutu, perto de Cabrobó, e de Areias, nas proximidades de Floresta, deverão ser concluídos até o fim de 2009.
A discussão na área técnica do governo passou a ser agora sobre outra obra, menos grandiosa, mas igualmente polêmica: a transposição das águas do Rio Tocantins para o São Francisco. A idéia não é nova. Na verdade, ganhou força no início do primeiro mandato do presidente Lula, quando o projeto de transposição do São Francisco enfrentava uma oposição ferrenha de vários governadores e de parte do Congresso. Por isso, transpor as águas do Tocantins para o Nordeste Setentrional pareceu a alguns uma alternativa menos problemática, do ponto de vista político e ambiental, do que desviar as águas do "Velho Chico".
O falecido senador Antônio Carlos Magalhães (DEM), ex-governador da Bahia, dizia que só aceitaria a transposição se, antes, uma parte das águas do Tocantins fosse jogada no São Francisco. Na época, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu disse que o governo Lula faria a obra.
Um grupo de engenheiros de Furnas Centrais Elétricas chegou a elaborar um estudo sobre essa alternativa. O projeto desses engenheiros previa a transferência de 26% da vazão do Tocantins diretamente para o semi-árido nordestino, por meio de um canal de 1,6 mil quilômetros. Além da adutora, seriam construídos 18 reservatórios ao longo do desvio. Mas o governo não deu prosseguimento à idéia e ela passou a ser criticada como mais uma jogada para engavetar a transposição do São Francisco.
O governo Lula decidiu enfrentar a oposição e executar o projeto de transposição das águas do "Velho Chico", engavetando a alternativa do Tocantins. Mas agora ela voltou a ser discutida por uma razão muito simples: com a retirada de águas do São Francisco para atender o Nordeste Setentrional, sobrou muito pouco para novas outorgas, ou seja, permissões para a retirada de água do rio destinada a atividades econômicas, como, por exemplo, irrigação. A transposição do Tocantins para o São Francisco seria uma forma de compensar os Estados banhados pelo rio, que são doadores da água para o Nordeste Setentrional.
O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), órgão responsável pelo plano de recursos hídricos da bacia, definiu que o limite de retirada de água do rio é de 360 metros cúbicos por segundo. Com essa retirada máxima será possível manter uma vazão mínima ecológica de 1.300 metros cúbicos por segundo na foz do rio, que preserve os ecossistemas e a biodiversidade aquática, além da geração de energia elétrica.
Ocorre que a previsão até 2025, que consta do Plano de Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (PBHSF), é de que o consumo médio anual das populações existentes na bacia será de 262,2 metros cúbicos por segundo. Existe, portanto, uma disponibilidade de água em relação ao consumo de 97,8 metros cúbicos por segundo (360 menos 262,2). Com a retirada de 26,4 metros cúbicos por segundo para atender o Ceará, a Paraíba, o Rio Grande do Norte e Pernambuco, sobrará muito pouco para novas outorgas.
Quando se pensa no longo prazo - em 2025, por exemplo - é provável que o curso de água do São Francisco tenha que ser reforçado pelas águas de outras nascentes para atender às exigências das populações daquela região. Para isso, segundo os técnicos, a alternativa mais adequada é a transposição de parte das águas do Rio Tocantins.
A bacia do Rio do Sono, afluente do Tocantins, seria a doadora das águas. No planejamento de criação do próprio Estado do Tocantins já foi prevista essa alternativa para a Integração com o São Francisco. Um estudo feito pela empresa VBA Consultores, discutido com o Ministério da Integração Nacional, identifica a Lagoa de Três Rios, na região do Jalapão, como o ponto de passagem mais propício à transposição. Está aí o primeiro obstáculo importante ao empreendimento, uma vez que a região do Jalapão é hoje uma Meca do turismo ecológico. As resistências dos ambientalistas certamente não serão desprezíveis.
O estudo da VBA Consultores diz, no entanto, que é possível retirar a água com um mínimo de interferência na lagoa, fazendo uma travessia da área por um canal independente. A alternativa menos onerosa prevê que as águas seriam captadas nas bacias dos rios Novo e Soninho, ambos afluentes do Rio do Sono, a partir de seis barramentos, e atingiriam inicialmente o Rio Sapão, seguindo pelo Rio Preto e o Rio Grande até chegar ao São Francisco.
A alternativa estudada pela VBA Consultores prevê que a transposição será feita em duas etapas, sendo a primeira para uma vazão de 40 metros cúbicos por segundo e a segunda, de mais 30 metros cúbicos por segundo. O custo do empreendimento seria da ordem de R$ 1,44 bilhão. Esse é, no entanto, um projeto para as próximas décadas. Mas, talvez, a discussão comece bem antes disso.
Situação da Transposição.
Roberto Malvezzi (Gogó) Diante da peça de marketing publicada no Estadão – Exército tira transposição do Rio São Francisco do papel – cabem alguns esclarecimentos para todos que se interessam sobre o assunto:
- O Exército é responsável por apenas 3% da obra. Realizou 1/3 de sua tarefa. Portanto, todos podem calcular o que realmente já foi feito e o ritmo da obra.
- A transposição, em cálculos modestos, já consumiu cerca de 600 milhões de reais em consultorias, projetos, assessorias, obras, etc. Esse dinheiro daria para ter feito 20% das adutoras previstas no Atlas do Nordeste.
- Quanto à revitalização, o governo está realmente investindo em saneamento nas cidades ribeirinhas. Mas essa é uma bandeira da sociedade civil, embora não queiramos retirar os méritos de ninguém, sequer do governo. O governo assumiu a revitalização como moeda de troca da transposição. Nós vamos tentar organizar uma rede ao longo do Vale para monitorar o investimento, já que é da tradição dos prefeitos "comer" o dinheiro do saneamento sem que as obras sejam realizadas.
- Queremos relembrar que o saneamento é peça importante da revitalização, mas isolada de uma estratégia não vai surtir efeito. O problema maior do São Francisco é o modelo predador implementado no Vale que prossegue com maior intensidade agora com a possível implantação de 510 mil hectares de cana irrigada para o Bahiabio, sem falar nas barragens e da própria transposição.
- O governo está fazendo investimento em abastecimento de água num raio de 10 km em cada margem do São Francisco. É a resposta às nossas críticas. Basicamente cisternas e "serviços simples" de abastecimento para pequenas comunidades. Ironia, as cisternas que os defensores da transposição dizem não servir para outras regiões, são a solução do governo para as margens do próprio São Francisco. Cidades que precisam de adutoras no Vale do São Francisco não estão vendo suas obras encaminhadas. Uma delas é Campo Alegre de Lurdes, Bahia.
- Nem o governo federal, nem os estaduais, estão considerando a previsão da Agência Nacional de Águas que até 2015 milhares de municípios de todos os Estados do Nordeste poderão entrar em colapso hídrico se certas obras – basicamente adutoras –, não começarem a ser feitas agora. Portanto, as opções de agora terão conseqüências terríveis em poucos anos.
- O ministro Geddel utilizou o dinheiro do saneamento para "puxar" os prefeitos para seu partido. Vai ter implicação nas eleições estaduais na Bahia em 2010.
- Os movimentos sociais não se calaram como diz a matéria do Estadão. Aqueles que concordam agora, já concordavam antes. Apenas temos nossas estratégias e voltaremos na hora adequada.
- Para quem não sabe, Frei Luiz recebeu o prêmio da Pax Christi Internacional como defensor dos direitos humanos e vai receber o prêmio em Sobradinho, na Romaria das Águas no dia 18 de Outubro. O prêmio é para fortificar a sua e nossa luta.
- São Francisco vivo: terra e água, rio e povo.
Trasnposição do Rio S. Francisco. Ibama impõe ao governo 36 projetos de preservação
Para executar as obras de transposição do Rio São Francisco, o governo federal está sendo obrigado a realizar 36 projetos e programas ambientais, por exigência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Um deles, o de conservação da fauna e da flora locais, já deu fruto inesperado ao descobrir uma nova espécie de cobra nas faixas de terras que foram desmatadas ao longo dos dois canais.
A reportagem é de Ribamar Oliveira e Wilson Pedrosa e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 10-08-2008.
Com apenas 25 centímetros de comprimento, a nova cobra brasileira ainda não tem nome nem identificação científica. “Ela foi encaminhada a um especialista, que vai estudá-la e depois publicar as análises”, explicou o professor Luiz César Machado Pereira, da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), responsável por esse programa.
Entre professores e estudantes, Pereira conta com uma equipe de 22 pessoas para cuidar da fauna e uma equipe de 16 pessoas para cuidar da flora.
INVENTÁRIO
O trabalho de Pereira e suas duas equipes é fazer o inventário das áreas afetadas pelas obras, o resgate de animais e plantas antes do desmatamento e, posteriormente, o monitoramento. Só no mês passado, o grupo capturou 350 animais, dos quais 310 foram soltos novamente.
“Já encontramos várias espécies de pica-pau, pequenos marsupiais, muitos répteis, veados-catingueiros, grande quantidade de cachorros-do-mato, jaguatiricas, gatos-maracajás e até pumas. Entre as plantas, encontramos muitas bromélias, aroeiras, a coroa-de-frade, altamente ameaçada, e árvores com mais de 100 anos, como a imburana”, relata Luiz Pereira.
O professor da Univasf afirma que está aprendendo muito com o programa, mesmo porque, segundo ele, a caatinga é o bioma menos estudado do País.
“Há pouca coisa publicada sobre a caatinga em nível científico”, informa. “Nosso maior desafio é o de entender como trabalhar no processo de conservação desse bioma.”
Um dos objetivos desse programa é montar um banco de germoplasma, no qual será armazenada a variabilidade genética das espécies encontradas.
Antes de qualquer desmatamento nas faixas de terra por onde passarão os canais ou serão construídos os reservatórios, a primeira equipe a ser acionada é a dos arqueólogos. Eles recolhem todos os indícios de antiga ocupação humana da área e de existência de fauna e flora pré-histórica.
O material recolhido até agora foi encaminhado à Universidade Federal de Pernambuco e ao campus da Univasf na cidade de São Raimundo Nonato, no Piauí.
Após a passagem dos arqueólogos pelas áreas, é a vez de serem acionadas as equipes do programa de conservação da flora e da fauna.
LOTES
A supressão da vegetação só é iniciada depois do inventário e do resgate de animais e plantas. O desmatamento é feito em três fases. O corte da vegetação é iniciado com foice e facão e concluído com motosserra.
Toda a lenha, as estacas e os mourões são separados e empilhados, em lotes numerados. A vegetação com menos de 20 centímetros de altura é triturada. Depois do corte da vegetação, é feita a raspagem do solo, que é misturado à vegetação triturada para fazer o adubo que será usado na recuperação das áreas degradadas.
A madeira recolhida nessas áreas será doada para as prefeituras das cidades próximas e para a unidade do Exército em Petrolina, em Pernambuco.
Exército tira transposição do Rio São Francisco do papel

A igrejinha branca e azul nos arredores de Cabrobó (PE), onde o bispo d. Luiz Flávio Cappio, em 2005, fez a primeira greve de fome contra a transposição do Rio São Francisco, está fechada. Na região, não há mais manifestações contrárias à obra e os tratores de esteira e as escavadeiras do Exército rasgam o sertão em ritmo acelerado, começando a abrir os dois canais que vão levar água do “Velho Chico” para as bacias hidrográficas do Ceará, do Rio Grande do Norte, da Paraíba e do agreste de Pernambuco.
A reportagem é de Ribamar Oliveira e Wilson Pedrosa e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 10-08-2008.Depois de nove meses de trabalho, os dois batalhões de engenharia e construção que estão na área já concluíram cerca de um terço das obras a cargo do Exército. Nada menos do que 1,6 milhão de metros cúbicos de terra, rochas e outros sedimentos já foram escavados - o que equivale a 18 Maracanãs cheios.
Os protestos contra a transposição acabaram por vários motivos. Em primeiro lugar, o Supremo Tribunal Federal (STF) cassou todas as liminares concedidas por juízes de primeira instância que impediam o início das obras. Além disso, a presença dos militares ajudou a dar credibilidade ao projeto.
“A estratégia de começar as obras com o Exército foi muito boa”, admitiu o padre Ceslau Broszecki, da paróquia de Cabrobó. “Aqui tudo se acalmou, ninguém fala mais nada (contra a transposição)”, disse o padre. A presença do Exército representou também segurança para os moradores, pois a rodovia que passa por Cabrobó e Floresta é conhecida como “rota da maconha”, utilizada por traficantes.
SANEAMENTO
Outra razão para o apaziguamento na região é o grande investimento que o governo federal está fazendo na revitalização do São Francisco. Um dos programas prevê o saneamento básico nas cidades ribeirinhas. Atualmente, os esgotos dessas cidades são despejados no rio. Nesse programa, o governo prevê aplicar R$ 1 bilhão.
Há 72 municípios com obras de saneamento em andamento. As de outros 44 estão em processo de licitação. Além desses, o governo pretende atender mais 78. Cabrobó, por exemplo, espera concluir suas obras no próximo mês e aumentar de 33% para 99% a parcela de residências atendidas por saneamento básico, segundo o secretário de Infra-Estrutura Urbana e Habitação da cidade, Paulo Teógens de Oliveira. “Sem a transposição, essas obras não aconteceriam”, admitiu.
Há quem acredite que a morte do senador Antonio Carlos Magalhães (DEM), ex-governador da Bahia e ferrenho adversário da transposição, também tenha aplacado os protestos contra o projeto. Mas nota-se que permanece na região o temor do que poderá acontecer com o São Francisco. “Tem gente que acha que o rio vai secar”, disse o secretário Oliveira.
O capitão Andreos Souza, que comanda o destacamento do 2º Batalhão de Engenharia e Construção, conta que a primeira pergunta que lhe fazem, nas palestras que realiza na região, é justamente sobre essa questão. “Procuro mostrar que não estamos desviando o rio. A água que será retirada equivale a 1,4% da vazão.”
Cada um dos batalhões do Exército está abrindo um canal que captará as águas do São Francisco. Um deles fica no eixo norte do projeto, perto de Cabrobó, que ligará o rio ao reservatório de Tucutu. Depois, por canais que ainda serão iniciados, a água será levada para Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. Até a semana passada, o destacamento do capitão Andreos já tinha aberto 1.790 metros do canal, do total de 2.000 metros que cabem ao Exército, faltando aprofundá-lo e colocá-lo no perfil adequado.
O outro canal está no eixo leste, localizado próximo à cidade de Floresta (PE), e levará água para o reservatório de Areias. Depois, por outros canais, a água chegará à Paraíba e a algumas áreas do agreste de Pernambuco. As barragens de Tucutu e de Areias também estão sendo construídas pelo Exército. “A previsão de conclusão dessas obras é dezembro de 2009”, disse o capitão Andreos.
Para se ter uma idéia do ritmo das obras, os dois batalhões do Exército estão utilizando 170 viaturas e máquinas pesadas - tratores de esteira, motoniveladoras, escavadeiras, caminhões e veículos de transporte - e mantêm 470 pessoas trabalhando, incluindo pessoal civil e trabalhadores terceirizados.Um consórcio de empresas privadas, denominado Águas do São Francisco, já trabalha no primeiro lote do eixo norte, que é uma parte do canal até o reservatório de Tucutu. O consórcio conta com 311 pessoas e mobiliza 120 viaturas e máquinas pesadas. Depois de concluído, o eixo norte terá 516 quilômetros e 31 reservatórios de água, três estações de bombeamento, nove túneis, 33 aquedutos e seis hidrelétricas, com potência estimada em 175,5 megawatts. Depois que as águas são bombeadas até determinada altura, passam a correr pelo canal por gravidade, o que permite a instalação de hidrelétricas. A previsão é de que todo o eixo norte seja concluído até 2014.
O eixo leste é menor. Terá 287 quilômetros e o presidente Lula pretende inaugurá-lo até 2010. Nele, serão construídos 15 reservatórios, seis estações de bombeamento, nove aquedutos e sete túneis.'A luta continua', afirma bispo
O bispo da diocese de Barra (BA), d. Luiz Flávio Cappio, que fez greve de fome no ano passado contra a transposição do Rio São Francisco, disse que sua “luta continua do mesmo jeito”. A notícia é do jornal O Estado de S. Paulo, 10-08-2008.
Ele informou, por telefone, que continua andando pelo Brasil explicando os problemas do projeto e não quis falar sobre as obras. “Não discuto a questão técnica. Não tenho dúvidas de que as obras serão muito bem feitas”, disse. “O que discuto é a quem o projeto está beneficiando, quem vai ser o usuário da água.”
O secretário de Infra-Estrutura Hídrica do Ministério da Integração Nacional, João Santana, disse que uso da água será definido por um comitê gestor nacional e por comitês estaduais.
Frei Cappio recebe prêmio por luta em defesa do Velho Chico

Bispo brasileiro é reconhecido por sua luta em defesa do rio São Francisco, e comunidades que dependem dele, através do Prêmio pela Paz da Pax Christi Internacional 2008
da redaçãoFrei Luiz Flavio Cappio, bispo da diocese de Barra (BA), receberá o Prêmio pela Paz da Pax Christi Internacional 2008 (2008 Pax Christi International Peace Award). O bispo brasileiro foi escolhido para receber o prêmio por suas ações a favor do rio São Francisco, bem como das pessoas que dependem dele para viver.
A Pax Christi é um movimento católico internacional para a Paz, fundado na França em 1945, com mais de 100 organizações-membro ativas em todo o mundo. A Comissão Pastoral da Terra (CPT) integra a organização e será responsável pela entrega do prêmio ao frei Luiz Cappio. A cerimônia ainda não tem data marcada, mas poderá ser feita aqui no Brasil, como forma de aproximação às ações de Dom Cappio.
O bispo ficou conhecido mundialmente após realizar um jejum de 24 dias em protesto contra a transposição do rio São Francisco. Sua manifestação chamou a atenção de movimentos sociais, personalidades públicas e do governo brasileiro aos prejuízos que o projeto trará às comunidades riberinhas e à biodiversidade da região cortada pelo rio.
Fonte: Brasil de Fato
Novidade! Abaixo-Assinado Eletrônico Bioma Cerrado e Caatinga.

Olá! Mulheres e homens que lutam para defesa do Biôma Cerrado e Caatinga...
Temos uma nova ferramenta nesta luta...
Abaixo Assinado eletrônico.
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Saudações Ambientais!
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Altamiro Fernandes
062 - 99737071
O Velho Chico e os oitenta milhões de árvores do Paraná

por Michelle Amaral da Silva — 07/08/2008 13:06
Contribuidores: Beto Almeida
A grande mídia comercial dedica seu tempo a divulgar agendas sociais de políticos, e deixa de dar importância a ações em favor do meio ambiente
"Eu tenho esses peixes e vou de coração
eu tenho estas matas e vou de coração
à natureza"
Milagre dos Peixes - Milton Nascimento e Fernando Brant
A grande mídia comercial pré-paga revela, com freqüência instigante, as agendas sociais do governador de Minas Gerais, Aécio Neves, a cada final de semana, na insuperável vida noturna do Rio de Janeiro. Não é o caso de fazer comparações sobre o volume de espaço midiático dedicado a tão edificante informação para a cidadania brasileira, que nada, isto é coisa de comunicólogo azedo, dirão alguns.
A mesma mídia ignora sistematicamente a decisão do governo do Paraná de plantar 80 milhões de árvores em seu território que, como no país inteiro, viu-se devastado em razão de um modelo de desenvolvimento petro-dependente capitaneado pelo agronegócio transnacional e pelo incremento de uma pauta de exportação dominada por produtos primários, tal como prevê o novo mapa mundial do neocolonialismo. Para os países ricos, a "concepção" da produção, as funções especializadas, bem remuneradas, com o uso intensivo de tecnologias de ponta; aos países da periferia, a "execução" da produção, o desemprego crônico, a desespecialização da mão-de-obra, a desindustrialização da produção e da exportação, cujos produtos cada vez mais matéria-prima, com selinho coloniais e tudo, têm preço definido lá fora, por quem comanda o comércio internacional. E não somos nós.
Assim como temos o direito de indagar sobre a relevância informativa da agenda, digamos, cultural do jovem governador mineiro - pré-candidato à presidência do país - , também nos é dado o direito de tentar entender porque o plantio de 80 milhões de árvores não contém, para a mídia comercial, qualquer relevância noticiosa, quando o mundo discute com perplexidade e aflição o aquecimento global, o desmatamento, as novas leis de crimes ambientais etc. Será que o inédito gesto do governador do Paraná de cortar o cordão umbilical da dependência e da cooptação entre mídia e Estado, zerando as verbas publicitárias, também chamadas de "o mensalão do coronelismo eletrônico", tem influência na transformação dos 80 milhões de árvores numa não-notícia? É vasto o nosso deserto informativo...
Nasce ali na Serra da Canastra, não muito longe da Serra da Boa Esperança que inspirou inapagável canção de Lamartine Babo, com o mesmo título, o nosso rio São Francisco. Ele corta o Grande Sertão de Guimarães, ele desagua na sanfona de Gonzagão em acordes e versos filosofando sobre "o rádio e terras civilizadas"; ele torna ainda mais misterioso o mistério do Ciúme de Caetano, flutuando entre duas cidades que se amam com infinita dor, sem descifrar a alma do Velho Chico que vem de Minas, "onde o oculto do mistério se escondeu". Para além da dor e da alegria da música que inspira, dos personagens brasileirões que nutre na imaginação de Guimarães para fazer nascer os Manuelzões, a dura realidade é que o Velho Chico está sangrando devagar. Tão devagar quanto mais duradoura e interminável é esta dor de ver aquele orgulho dos brasileiros - aquele rio da Unidade Nacional amado por todos - rebaixado em vergonha, pela nossa incapacidade de realizar um projeto sócio-econômico-ambiental que o impeça transformar-se na cloca contaminada da República, vendo os predadores dos cofres públicos atirar naquelas águas já embaçadas e sufocadas, o veneno químico resultante dos "podres poderes" também registrados em outra canção do Caetano. E tome lixo, tome desprezo, tome negligência, e tome hipocrisia ambiental, vai tudo naquele leito. É alumínio, é agrotóxico, é mercúrio, é esgoto, é incentivo fiscal do BNDES, é dívida rural quase que eternamente perdoada.. tudo se joga, com raiva e indiferença, no Velho Chico. Ele que agüente!!! Eis aí o nosso padrão ambiental bárbaro, imposto pelo capitalismo pra lá de bárbaro, já que os selvagens eram mais puros, mais responsáveis até.
Oitenta milhões de árvores lá embaixo, no Paraná. O Velho Chico não deve ter mais de 4 mil quilômetros de extensão. Quantas mãos desocupadas temos no Brasil ainda desempregadas? Quantas árvores precisamos para replantar menos de 4 mil quilômetros de margens da nossa brasilidade devastada pela incúria? Quem deve fazer as contas de quantas árvores e quantas mãos necessitamos para sentirmos, novamente, orgulho legítimo do nosso rio, são os técnicos, o Batalhão de Engenharia do Exército, que, aliás, foi convocado para construir, bravamente, a Ferroeste, lá no Paraná, a única ferrovia edificada nesta quadra de paralisia ferroviária que sucedeu a privataria devastadora do setor.
O geólogo Marcello Guimarães, um dos pioneiros da energia renovável da biomassa, ex-diretor do Departamento Nacional dos Combustíveis, desafia-nos a provar se é mesmo verdadeiro nosso amor e nosso orgulho pelo Velho Chico. A recuperação de suas matas ciliares é tarefa perfeitamente realizável se nossos tecnocratas não tremessem de tanto desejo e furor pelo endividamento externo, mesmo que seja para a simples colocação de meio-fio na periferia de uma cidadezinha do interior, "uma cidadezinha qualquer", poetisa o mineiro Drummond. Não importa que haja paralelepípedos em abundância nas redondezas, é mais chique fazer um empréstimo junto ao FMI para..... calçar ruas com pedras que temos aqui mesmo.
Para recuperar o Velho Chico não precisamos de nenhum empréstimo externo. Ao contrário, temos de sobra os ingredientes, a força social e a biodiversidade. Uma grande mobilização em Minas, com a força de seu ferro, com a dignidade de suas montanhas e com a audácia de seu histórico amor rebelde pela liberdade, permitiria juntar desempregados, talvez também com a participação do exército, e mesmo militantes do MST não se negariam, para replantar milhões de árvores ao longo das margens da nossa própria alma brasileira encravada ali naquele rio! E também no sertão da Bahia, com um pouquinho da energia rebelde degolada em Canudos, poderíamos sim mobilizar batalhões de desempregados para o replantio, para salvar o Rio, para irrigar com mais força nossas consciências, inclusive acerca da gritante urgência de uma reforma agrária que encontre, a longo do rio querido, "um jeitinho prá viver" , como diz a canção do baiano Gil, não apenas para fazer canções, literatura e lamentos sobre a seca definhante em curso.
Será que a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), órgão vinculado ao Ministério da Integração Nacional, não pode meditar um pouquinho sobre o quanto se pode fazer com mobilização da consciência nacional, dos desempregados, de alguns batalhões do exército, da militância do MST, dos ribeirinhos, índios, quilombolas, dos nossos artistas, cientistas para pensar, um bocadinho que seja, no exemplo não noticiado das 80 milhões de árvores do Paraná? Se a grande mídia comercial, com sua volumosa capacidade de penetração permitisse uma parte do espaço que reserva para divulgar a interessantíssima vida social do governador mineiro no Rio de Janeiro, quem sabe poderíamos construir um grande debate nacional em torno de idéias e de um plano concreto para salvar o Velho Chico? Será que a TV Brasil acende novamente nossa necessária indignação para o debate inadiável?
"Eu tenho essas matas e dou de coração"
Beto Almeida é jornalista, membro do Conselho editorial do Brasil de Fato e diretor da Telesur.
Água de chuva evita desperdício e gera economia
A economia que cai do céu: O engenheiro agrônomo Gilmar da Silva provou, com números, que a utilização da água de chuva não somente oferece redução nos custos das contas, como também constitui uma importante alternativa para economizá-la em escolas, hotéis ou fábricas. O pesquisador tomou como estudo de caso uma fábrica de mancais da região de Araras e uma escola pública de Limeira. Para fundamentar sua pesquisa, o engenheiro recorreu à média histórica de chuva de dez anos e às condições de captação das águas, relacionando-as com o preço do metro cúbico. A economia na conta de água da escola, em um ano, foi de R$ 559,00, enquanto na empresa o valor foi significativamente maior – R$ 2.320,00, no mesmo período. Por Raquel do Carmo Santos, Jornal da Unicamp, Edição 403 - 4 a 10 de agosto de 2008.
Chuva na periferia de Campinas: engenheiro recorreu à média histórica às condições de captação das águas (Foto: Antoninho Perri)
Silva descreve sua metodologia e os resultados em sua tese de doutorado defendida na Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FEC). A pesquisa foi orientada pelo professor José Euclides Stipp Paterniani. Seu objetivo foi mostrar que é possível usar alternativas para minimizar o problema. “Hoje é de vital importância buscar formas que levem ao racionamento de água potável, e uma dessas alternativas é fazer uso da água de chuva disponível na natureza para ganhos ambientais das futuras gerações. É possível usar a água de chuva para descargas, lavagem de pisos e irrigação de plantas, entre outras finalidades”, defende.
O engenheiro fez a coleta de água na fábrica de mancais em quatro pontos distintos – telhado, calha, cisterna e cisterna filtrada para a análise dos aspectos físico-químicos e bacteriológicos. Silva reconhece que ocorreram algumas contaminações bacteriológicas, mas nada que influenciasse de forma negativa na proposta de uso e em áreas de produção da empresa. A empresa, ao utilizar a água armazenada na cisterna, teve um custo anual de R$ 4.918,00; quando usou somente a rede pública, apresentou um gasto anual de R$ 7.238,00.
O fato de não existir uma portaria ou resolução que discorra sobre o aproveitamento da água de chuva dificultou, em certa medida, o trabalho do pesquisador. “Adotei para comparação dos resultados qualitativos as Resoluções 274 e 357 do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), e ainda a Portaria 518 do Ministério da Saúde para água potável. Por isso, a dificuldade em atender todas as exigências existentes. O país carece de uma resolução que contemple estes aspectos”, esclarece Silva.
Segundo o engenheiro, não se pode utilizar no estudo uma única resolução ou portaria específica para comparar os resultados, uma vez que são vários os quesitos envolvidos na aferição da qualidade da água. Por isso, a necessidade de usar um conjunto de legislações para a melhor compreensão dos resultados bacteriológicos. De acordo com a Resolução Conama 274, a existência de coliformes termotolerantes foi considerada favorável e demonstrou compatibilidade com as instalações da fábrica, não comprometendo os usuários ou colaboradores ao utilizá-la. Esses aspectos, explica Silva, evidenciam a necessidade de resoluções que definam os parâmetros de aproveitamento da água de chuva. “Para uma melhor eficiência do sistema é importante contemplar um método de desinfecção da água de chuva após o bombeamento da cisterna”, observa.
No caso da escola, mesmo com uma cisterna de dez mil litros, a economia foi bem menor. O motivo, no entanto, poderia ser a circulação de pessoas, que é maior, aliada à área de captação no telhado, que é menor. Ainda assim, a economia de mais de R$ 500 anuais poderia ser usada em reformas ou em compra de equipamentos. O custo médio anual da escola é de R$ 61.577,00, sem o aproveitamento da água de chuva.
O benefício maior, insiste Silva, seria na economia de água da rede pública, que sai dos rios para atividades em que não haveria necessidade de uma substância potável. “Á água é barata e acredito que isso consiste em um aspecto que estimule o desperdício. Por isso, as alternativas poderiam otimizar o uso para determinados fins”, conclui.
Elba Ramalho e o São Francisco

Roberto Malvezzi (Gogó)
“Estou muito feliz em fazer um show aqui às margens do São Francisco. Esse rio tem muita energia. Porque assinei a luta contra a transposição do São Francisco fui perseguida e tive shows cancelados. Venho de uma região da Paraíba que tem problemas de água e quero que todos tenham água. Mas sei que existem caminhos mais simples para pôr água para o povo. Mas nós sabemos como funciona a política aqui na nossa região. Eles tiram um projeto que está na gaveta há mais de 30 anos e querem que a gente apóie as iniciativas deles”
E prosseguiu:
A cada palavra que Elba foi dizendo sobre o São Francisco na madrugada de domingo, em show público na orla de Petrolina, a multidão veio junto com aplausos. Depois, gritou seu nome de pé. Ela estava emocionada e o público também. Foi simples, sincera e corajosa.
A retaliação por sua posição em relação à obra vem desde a época da primeira greve de fome de Frei Luis. Depois, durante a segunda, enviou uma das cartas mais emocionantes ao bispo.
Elba poderia fazer demagogia hídrica ou ficar calada. Prefere se expor publicamente, como outros artistas, que também sofreram algum tipo de retaliação, mesmo os defensores dos direitos humanos. Ela é a prova que nem toda classe artística é alienada e pode contribuir para a cidadania e a boa nordestinidade.
A transposição já consumiu cerca de 600 milhões de reais (projeto, assessorias, consultorias, obras, etc) sem levar água do nada para lugar algum. Com esse dinheiro o atual governo já poderia ter feito 20% das adutoras previstas no Atlas do Nordeste e resolvido os problemas hídricos das regiões urbanas mais carentes de água do semi-árido.
Elba, essa cantora que tem nome de rio, batizou-se de vez nas águas do Velho Chico.
100 meses para frear o aquecimento global, por Henrique Cortez
Henrique CortezEstudo da New Economics Foundation (NEF) estima que em 100 meses, a contar de 1°/08, mantido o atual padrão de emissões, atingiremos um ponto sem retorno, a partir do qual será inevitável um aquecimento médio de 2°C.
Segundo especialistas e pesquisadores do IPCC, os níveis de gases com efeito de estufa na atmosfera, que estão em cerca de 377 partes por milhão, teriam de ser estabilizados em 400 ppm para evitar um aumento superior a 2°C. O estudo da NEF estima que em 100 meses com o atual crescimento das emissões, ultrapassaremos o limite crítico de 400ppm.
De acordo com o relatório preparado por Nicholas Stern, em 2006, para o governo britânico, um aumento 2°C poderá liberar uma grande quantidade de carbono armazenado nos solos árticos permanentemente congelados (permafrost), além de desertificar 15% das terras férteis, eliminar 40% das espécies ameaçadas de extinção e ameaçar até 4 bilhões de pessoas com escassez de água e alimentos.
A New Economics Foundation propõe um urgente Pacto Verde (Green New Deal), inspirado no programa de 100 dias, proposto F.D. Roosevelt, quando presidente dos EUA, para implementar seu programa New Deal, em resposta à recessão dos anos 30.
Hoje sabemos que o aquecimento global é um fato e que as emissões de gases estufa estão em uma espiral crescente, o que exige ações rápidas e efetivas para que, ao final deste século, não estejamos diante de uma imensa catástrofe social e ambiental.
A proposta, apresentada pela NEF, é mais uma tentativa de evitar a catástrofe e, como muitas outras, também será solenemente ignorada.
Pessoalmente estou convencido que não sairemos desta antes de uma gigantesca catástrofe ambiental. Além de discursos e bravatas nenhum país, do primeiro,segundo,terceiro ou quinto mundo, está minimamente disposto a fazer algo de concreto. No futuro, quem sabe talvez…
Acompanho e recebo muitos estudos de institutos de pesquisa e universidades internacionais, que tenho publicado na medida do possível. As mais recentes pesquisas, estudos e previsões me fazem acreditar que até 2050 bateremos no “iceberg” socioambiental do aquecimento global. E, como no Titanic, só há salva-vidas para os passageiros da primeira classe.
Há quem nos chame de Cassandra’s. Quem acha que este “adjetivo” nos desqualifica, certamente, não leu a Ilíada e não sabe que as profecias de Cassandra se realizaram…
É muito fácil falar do aquecimento aquecimento global, discutir as mudanças climáticas ou reclamar da inação dos governos mundiais. Mais fácil ainda é fazer tudo isto e não agir.
Um exemplo desta inércia global pode ser encontrado nas incontáveis listas de discussão e grupos do Yahoo e Google, bem como no Orkut. Centenas de grupos e comunidades, com dezenas de milhares de membros, estão discutindo o aquecimento global e, de fato, nada fazendo, limitando-se a uma “tagarelice” estéril.
Bem, de uma forma ou de outra, arcaremos com todas as conseqüências da nossa alienação ou na nossa inércia. Precisamos compreender que, se as piores previsões se concretizarem, seremos amaldiçoados pelas gerações que virão e herdarão um planetinha miserável e sujo.
A contagem regressiva para os 100 meses pode ser acessado em onehundredmonths.org e o Green New Deal pode ser encontrado em neweconomics.org.
Também sugiro que leiam o nosso editorial “A batalha contra o aquecimento global já está perdida?”
A decisão está nas nossas mãos. A responsabilidade também. Sem discurso e sem desculpas.
Henrique Cortez, henriquecortez@ecodebate.com.br
coordenador do portal Ecodebate
[EcoDebate, 04/08/2008]
A impossível comensalidade depois de Doha

Estou enviando artigo sobre os impasses para comensalidade humana depois do fracaso da Rodada de Doha.
Um abraço,
Leonardo Boff
Teólogo.
O vergonhoso fracasso da Rodada de Doha se deve principalmente aos países ricos que quiseram garantir a parte leonina nos mercados dos pobres. Num quadro de fome já instalada, se desperdiçou a opotunidade de assegurar comida na mesa dos famintos. O sonho ancestral da comensalidade que nos faz humanos, quando todos poderiam sentar-se à mesa para comer e comungar, se torna ainda mais distante. Além da crise alimentar, nos assolam ainda a crise energética e a climática. Se não houverem políticas mundiais articuladas podemos enfrentar graves riscos às populações e ao equilíbrio do planeta. Dai A Carta da Terra propor uma aliança de cuidado universal entre todos os humanos e para com a Terra até como questão de sobrevivência coletiva.
Os problemas são todos interdependentes. Por isso não é possível uma solução isolada com meros recursos técnicos, políticos ou comerciais. Precisa-se de uma coalizão de mentes e coração novos, imbuídos de responsabilidade universal, com valores e princípios de ação, imprescindíveis para uma outra ordem mundial. Enumeremos alguns deles:
O primeiro de todos reside no cuidado pela herança que recebemos do imenso processo da evolução do universo.
O segundo está no respeito e na reverência face à toda alteridade, a cada ser da natureza e às diferentes culturas.
O terceiro encontra-se da cooperação permanente de todos com todos porque somos todos eco-interdependentes a ponto de termos um destino comum.
O quarto é a justiça societária que equaliza as diferenças, diminui as hierarquizações e impede que se transformem em desigualdades.
O quinto é a solidariedade e a compaixão ilimitada para com todos os seres que sofrem, a começar pela própria Terra que está crucificada e pelos mais vulneráveis e fracos.
O sexto reside na responsabilidade universal pelo futuro da vida, dos ecosistemas que garantem a sobrevivência humana, enfim, do próprio planeta Terra.
O sétimo é a justa medida em todas as iniciativas que concernem a todos já que viemos de uma experiência cultural marcada pelo excesso e pelas desigualdades.
Por fim é a auto-contenção de nossa voracidade de acumular e consumir para que todos possam ter o suficiente e o decente e sentir-se membros da única família humana.
Tudo isso só é possível se junto com a razão instrumental resgatarmos a razão sensível e cordial.
A economia não pode se independizar da sociedade pois a consequência será a destruição da idéia mesma de sociedade e de bem comum. O ideal a ser buscado é uma economia do suficiente para toda a comunidade de vida.
A política não pode se restringir a ordenar os interesses nacionais mas se obriga a projetar uma governança global para atender equitativamente os interesses coletivos.
A espiritualidade precisa ser cósmica que nos permita “viver com reverência o mistério da existência, com gratidão pelo dom da vida e com humildade face ao lugar que o ser humano ocupa na natueza”(Carta da Terra, introdução).
O desafio que se impõe parece ser este: passar de uma sociedade de produção industrial em guerra com a natureza para uma sociedade de promoção de toda a vida em sintonia com os ciclos da natureza e com sentido de equidade.
Estas são as pré-condições de ordem ética e de natureza prática que se destinam a criar as condições de uma comensalidade possível entre os humanos. Logicamente, se fazem necessárias as mediações técnicas, políticas e culturais para viabilizar este propósito. Mas elas dificilmente serão eficazes se não forem plasmadas à luz destes princípios-guias que significam valores e inspirações.
Conheça VOZ, o site para quem tem algo a dizer
Você, que escreve no Blog Velho Chico VIVO, e se interessa em expor suas idéias sobre os temas relevantes para o desenvolvimento do Brasil, está convidado a conhecer o portal VOZ.
O VOZ é um espaço onde todas as pessoas que como você têm algo a dizer, podem participar do debate sobre questões tão fundamentais sobre o país que queremos ter.
A sua voz é muito importante. Saiba mais como participar e solte a voz. www.dialeto.net/clientes/voz
Equipe VOZ.
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Governadores evitam falar sobre transposição do São Francisco
Nem a presença Geddel Vieira Lima, ministro da Integração Nacional, pasta responsável por tocar a obra, tida como prioridade do governo federal, foi suficiente para vencer o bloqueio de se falar sobre o assunto. O próprio ministro, nascido na Bahia, que seria um doador de águas, já se colocou como um grande crítico da obra. No entanto, ao assumir a pasta disse que iria executar o projeto.
O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), usou de bom humor para responder aos questionamentos na presença de seus colegas: “Quanto à transposição, eu vou poupar Déda [Marcelo Déda, do PT, governador do Sergipe] de falar. Se ele falar, vai falar mal e eu não gostaria de fosse assim”, brincou Campos.
O tom de brincadeira logo se desfez quando Déda começou a falar, e ficou clara que a divergência é evidente entre os estados doadores de água – como Bahia e Sergipe -, e os receptores, como Pernambuco e demais estados da região do semi-árido.
“Nós temos tido durante todo esse período bastante juízo para não colocar na agenda desse fórum, temas que nos dividem, temas que possam prejudicar o melhor capital que nós formamos nesse um ano e seis meses de nossos mandatos: a nossa unidade em torno de uma agenda comum a favor do desenvolvimento econômico e social do Nordeste”, disse o governador de Sergipe, em entrevista coletiva, após o 8º Fórum de Governadores do Nordeste.
Déda classificou o tema de “desagregador” e, por isso, digno de ser evitado na reunião. “Todos têm as suas convicções, todos têm as suas críticas. Mas é preciso que nós nunca tenhamos envolvimento do fórum, nem a favor nem contra. Até porque, os que são a favor seria maioria. Em respeito à população de estados doadores, como a Bahia e Sergipe, nós resolvemos que esse tema aqui desagrega e não deveria ser prioridade”, disse Déda. “As posições de cada estado sobre a obra são muito conhecidas. Essa posição se mantém, mesmo com o governo executando a obra”, completou.
Campos e Déda, no entanto, garantem que as divergências influenciam no andamento do projeto. As obras compreendem a construção de canais, barragens, adutoras e estações de bombeamento, orçadas em R$ 3,3 bilhões.
O objetivo do governo é assegurar a oferta de água, em 2025, a cerca de 12 milhões de habitantes de pequenas, médias e grandes cidades da região semi-árida dos estados de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. Para isso, o governo defende a retirada contínua de 26,4 metros cúbicos de água por segundo, o equivalente a 1,4% da vazão garantida pela barragem de Sobradinho (1.850 metros cúbicos por segundo) no trecho do rio onde se dará a captação, de acordo com informações do projeto.
Este montante hídrico será destinado ao consumo da população urbana de 390 municípios do Agreste e do Sertão dos quatro estados do Nordeste Setentrional. As bacias que receberão a água do rio São Francisco são: Brígida, Terra Nova, Pajeú, Moxotó e Bacias do Agreste em Pernambuco; Jaguaribe e Metropolitanas no Ceará; Apodi e Piranhas-Açu no Rio Grande do Norte; Paraíba e Piranhas na Paraíba. Os estados de Sergipe e Bahia temem que com a transposição passem a ter problemas de abastecimento.
Ex-presidente do Ibama é acusado de improbidade pela licença para as obras de transposição do Rio São Francisco
O Ministério Público Federal no Distrito Federal (MPF/DF) ajuizou uma ação civil pública em que pede abertura de processo por improbidade administrativa contra o ex-presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Marcus Barros, que emitiu em março de 2007 licença ambiental de instalação para as obras de transposição do Rio São Francisco. Por Marco Antônio Soalheiro, da Agência Brasil.
O procurador da República Francisco Guilherme Bastos, responsável pela ação, aponta como irregularidade cometida por Barros a emissão da licença sem a análise dos projetos executivos – exigência prevista em decreto presidencial sobre a Política Nacional do Meio Ambiente - e sem a realização de novas audiências públicas. As audiências tinham sido recomendadas em despacho do então ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Sepúlveda Pertence de fevereiro de 2007.
O MPF classifica a concessão da licença como “açodada” e “ilegal”. Assim, pede a condenação do ex-presidente do Ibama ao pagamento de multa, à perda da função pública, à suspensão dos direitos políticos de três a cinco anos e à proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios fiscais ou creditícios por cinco anos. A ação será julgada pela 20ª Vara da Justiça Federal no DF.
Atualmente, Marcus Barros é secretário de governo da prefeitura de Manaus (AM). A reportagem entrou em contato com assessoria de Barros, que não deu retorno sobre o pedido de entrevista.
A Amazônia é a região de maior biodiversidade do mundo.
Tita Barreto ,Existe um projeto de lei em aprovação que é um sinal verde para que as motosserras e correntões acelerem o desmatamento da Amazônia.
Se você acha que esse é um problema distante, saiba que a floresta é responsável por grande parte das chuvas do Sul e do Sudeste que abastecem a agricultura do país, a geração de energia e nossas represas. Além disso, a Amazônia é fundamental para combater as mudanças climáticas.
Parece exagero, mas a situação é grave. Falta de informação e oportunismo resultaram nesse projeto de lei absurdo.
Por isso o seu amigo Christiano Erick indicou você para ajudar a combater esse problema.
http://www.meiamazonianao.org.br/
Água na Paraíba
Adital -
22.07.08 - BRASIL
Nota à Sociedade Paraibana
O ano de 2008 foi emblemático para levar a justificativa do projeto de
Transposição para o Semi-Árido por água abaixo. As fortes chuvas que vêm
caindo desde o início do ano demonstraram mais uma vez como os técnicos
de Brasília, apoiados por alguns políticos e algumas autoridades
religiosas, conhecem pouco a nossa realidade. Se a conhecessem, saberiam
porque o Semi-Árido brasileiro é o mais populoso do mundo. Se não fosse
possível conviver com aquela realidade, não haveria uma população de
milhões, tirando desta terra o seu sustento.
No momento em que divulgamos esta nota de protesto, o site da AESA-PB -
Agência Estadual de Águas da Paraíba - mostra que os grandes açudes da
Paraíba estão sangrando. Alguns foram destruídos pelas fortes chuvas,
enquanto outros estão ameaçados. Por que, então, não vemos os mesmos que
defendem com tanta veemência o projeto da transposição lutar pela
recuperação destes açudes? Estariam estas pessoas esperando que no
próximo ano algumas cidades sofram com o abastecimento de água, não pela
falta de chuvas e sim pela destruição das barragens, para novamente
enfatizarem que a solução é a transposição? Por que ainda não aprenderam
que a nossa Paraíba tem água, mas ainda falta infra-estrutura para
armazená-la?
As fortes enchentes, causadas em parte pela derrubada das matas
ciliares, mataram quase trinta pessoas na Paraíba. Onde estão os
defensores do projeto da transposição que não estão lutando pela
recuperação dos nossos rios que estão a caminho do cemitério?
O ano de 2008 está provando que não temos falta de água na Paraíba, o
que temos são problemas como a concentração de terra, a concentração de
água, a concentração de renda e a falta de vontade política para
resolver estes problemas. Onde estão os que defendem o projeto da
transposição, alegando que trará emprego para a nossa região, para
denunciar a tomada das terras das Várzeas de Souza por multinacionais?
Nós, da Frente Paraibana em Defesa da Terra, das Águas e dos Povos do
Nordeste somos contra o projeto da transposição do rio São Francisco
porque acreditamos que é possível um outro projeto de abastecimento, com
descentralização da água e da terra, como apresenta o Projeto Atlas do
Nordeste, elaborado pela Agência Nacional de Águas, órgão do Governo
Federal. Um projeto que realmente contempla as necessidades do Semi-Árido.
DIGA NÃO À TRANSPOSIÇÃO!
CONVIVER COM O SEMI-ÁRIDO É A SOLUÇÃO
* FRENTE PARAIBANA EM DEFESA DA TERRA, DAS ÁGUAS
E DOS POVOS DO NORDESTE:
MST, CPT, Pequenas Comunidades das Irmãs Inseridas, PJMP-Campina Grande,
Articulação de Mulheres Brasileiras, Movimento dos Pequenos
Agricultores, Sindicato dos Correios, Polo Sindical da Borborema,
Serviço Pastoral do Migrante, Pastoral da Juventude Rural, Centrac,
AJJURC, CEDOR, DECA, Cáritas, Juventude Franciscana de Santa Rita, do
Tito Silva e de Cabedelo, DCE-UFPB, CA de Biologia-UFPB, FEAB, Consulta
Popular, Assembléia Popular, Articulação do Semi-Árido/PB, ASPTA, Cunhã
Coletivo Feminista, Movimento dos Trabalhadores Desempregados, SINTER,
Grupo de Teatro do Oprimido GRITO, Grupo Pacto, Movimento dos Atingidos
por Barragens, Gabinete de Paula Frassinete, APAN.
Aziz Ab'Sáber critica o projeto de transposição das águas do rio São Francisco
Reunião SBPC - 21 Jul 2008"Deveriam conhecer melhor de planejamento e da climatologia dinâmica
das regiões envolvidas", disse
*Aziz Nacib Ab'Sáber, professor emérito da Faculdade de Filosofia,
Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP), criticou o
projeto de transposição do rio São Francisco durante palestra na 60ª
Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência
(SBPC), em Campinas.
Por Thiago Romero, de Campinas (SP), para a *Agência FAPESP.*
O polêmico projeto de transposição consiste na transferência de águas do
rio para abastecer rios e açudes da região Nordeste. Ab'Sáber criticou a
falta de planejamento e estudos climáticos sobre as áreas que irão
fornecer e receber águas.
"O projeto diz que será preciso tirar 1% das águas do rio para transpor
por cima da chapada do Araripe e descer para o Ceará. Quem chegou a essa
conclusão deveria conhecer melhor a climatologia dinâmica dessas
regiões, que faz com que as águas do rio fiquem mais altas ou mais
baixas, dependendo da época do ano. Essa porcentagem pode significar uma
réstia de água em um momento ou, durante o período de chuvas nos sertões
do Ceará e do Rio Grande do Norte, por exemplo, nem seria preciso enviar
água do São Francisco", disse.
A poluição das águas do rio também foi abordada pelo geógrafo. "Ninguém
me convence de que a transposição fornecerá água potável para todos os
que teoricamente se beneficiarão com o projeto. As pessoas que afirmam
isso não entendem bem de planejamento. A justificativa é muito simples:
as águas do São Francisco estão poluídas", observou o geógrafo de 83
anos, presidente de honra da SBPC, a uma platéia que lotou um dos
auditórios de maior capacidade na Universidade Estadual de Campinas
(Unicamp).
"Elas vêm desde a serra da Canastra e passam por muitos rios em áreas
onde a cultura de soja está se estendendo com a utilização de grande
quantidade de defensivos agrícolas. O rio recebe ainda a poluição que
vem de rios das cidades de São Paulo e Belo Horizonte", explicou o autor
de diversas teorias e projetos inovadores na geografia brasileira.
Ab'Sáber disse não ser contra o projeto de transposição, desde que seus
gestores sejam corretos e não se envolvam com corrupção. "Uma das
grandes coisas que aprendi em minha vida é a necessidade de ouvir o povo
antes de qualquer tipo de planejamento, ainda mais em um empreendimento
desse porte", sinalizou. "Com o planejamento que foi feito, pouca gente
da base da sociedade brasileira terá vantagens com esse projeto."
Prever impactos
"Para planejar é necessário estudar muito mais do que a viabilidade
técnica e econômica. É preciso saber o tipo de conhecimento que conduziu
aos projetos dentro de um plano de ações. Além de se preocupar com a
viabilidade ambiental, ecológica e social em relação ao entorno da
ocupação humana do espaço considerado, o bom planejamento envolve ainda
a previsão dos impactos que qualquer projeto desenvolvimentista
demanda", disse Ab'Sáber.
Segundo ele, em termos de planejamento, a previsão de impactos, que vem
logo depois da análise de todas as viabilidades -- e que, segundo ele,
deve ser feito por pessoas independentes desvinculadas dos interesses
comerciais do projeto --, é a "arte-ciência de saber o que vai acontecer
em diferentes profundidades do futuro".
"O conceito de prever impactos se caracteriza pela capacidade das
pessoas de entrar em um círculo de possibilidades mais viáveis do
conhecimento futuro. É a análise da cadeia de conseqüências de um
projeto sobre o que já está em um terreno em termos de ações antrópicas
e aquilo que foi remanescente de natureza", assinalou.



